5 de setembro de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 45 – Vida


Sempre fui uma mulher magra e de aparência frágil. Meu pai até hoje se pergunta como foi que sobrevivi no dia em que duas das três mulheres de sua vida morreram.
Mas eu sei. Lembro-me. Estava lá. Sr. Ausra fez questão de me relembrar no dia de meu despertar, e sei bem que estou envolvida por energias que me cercam, que possuo tal controle de drenarem em minha direção com tal facilidade que na maioria das vezes isto é bem involuntário. Hoje, convivo melhor com isso. Mas nem sempre foi assim...


Adentrei várias noites mal dormidas após meu despertar, relembrando tudo aquilo que sucumbi naquele dia. Lembro me da bolsa e de minha irmã, já secada pela ausência de energia que mantém todos os seres vivos. Escutei pela primeira e última vez o grito de minha mãe, seguido por um suspiro.
Eu vi a luz pela primeira vez, com o corpo tremendo e o ar rasgando meus pulmões. Senti meu sangue sendo bombardeado por todo o corpo e as mãos quentes de Sra. Ausra me olhando naquele dia. 

Ao me deparar com minhas mãos iluminadas pela luz solar, sinto o calor penetrando todos meus tecidos e os ruídos que isso poderia causar.
Ao olhar ao meu redor, percebo o cheiro daquilo que não se sente, cor naquilo que não há e tal musicalidade envolvente em todo corpo de um ser no momento em que anda.
Com o tempo, aprendi a controlar esse cheiro, introduzir ou retirar essas cores e dominar essa música, de acordo com minhas necessidades.
Lembro-me uma vez, treinando ainda a possibilidade de alterar a minha realidade, de fazer com que uma aranha criasse asas grandes como as de um pássaro e sem saber como utilizá-las, perdeu o controle e acabou sendo queimada pelo calor vermelho de minha lareira.

Aprendi com isso que o controle deveria ser sábio e discreto, ou quem pararia na fogueira, seria eu.

4 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Camila,

Muito legal esta postagem. Adorei o final, é a filosofia dos Batini... Hehehhe

Hugo Marcelo

dklautau disse...

O fogo! A o fogo... Sabia que para o Tolkien o fogo era o único elemento na Terra Média que simbolizava Eru, o único? E o valar que ficou responsável por ele era o próprio Melkor, depois Morgoth, o senhor do escuro? Aquela cena com o Gandalf e o Balrog carregava tudo isso...

Camila Numa disse...

Vamos assistir novamente o senhor dos anéis para nos inspirar em mais prelúdios! Hein, hein???
=)

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Eu acho uma excelente idéia!