15 de junho de 2011

Ambientação: Florença, 1.417


Após treze anos, a cidade cresceu. São mais de 110mil pessoas, entre o núcleo urbano e as áreas rurais. O florim, moeda municipal, é o regulador monetário da Europa. A família Médici é a responsável pelas finanças do Papa em Roma desde 1.413, e a guilda dos bancos se torna a mais poderosa da cidade. A economia de Florença liga o mundo do mediterrâneo a todo resto da Europa.

A Igreja cresce com o tribunal do Santo Ofício radicado permanentemente na cidade. Assume responsabilidades com a milícia municipal, e o bargello, o chefe da milícia, responde diretamente aos inquisidores. A guerra contra Pisa se encerrou em 1.406 e Florença reina hegemônica e inquestionável em toda Toscana, atraindo comerciantes, artesão, camponeses, mendigos e ladrões. Somente Milão, ao norte, ousa fazer frente ao comércio florentino, ocasionando batalhas eventuais numa guerra diplomática e militar, exigindo um investimento no exército da cidade, tanto em dinheiro quanto em jovens que devem lutar por Florença. 

A Cristandade está cindida. São três papas disputando o trono de São Pedro. O grande cisma do ocidente mantém Gregório XII em Roma, com Benedito XIII em Avinhão, na França, e agora o terceiro papa, desde 1.409, no concílio de Pisa, João XXIII. O concílio de Constança foi convocado em 1.414, e está em trabalhos para definir uma autoridade definitiva para a Cristandade, porém em 1.417 ainda não existem definições. Florença está dividida, porque embora os Médici sejam banqueiros de Gregório XII, muitas famílias como os Riccardi possuem muita influência em Pisa, e apóiam João XXIII, enquanto os Pazzi tem interesses na França e apóiam Benedito XIII

Muitos pensadores se reúnem em Florença. A universidade de Florença, existente desde 1.364, cresce em cursos, alunos e professores. Linhas teológicas, medicinais, jurídicas e mecânicas endossam os conhecimentos dos artesãos, artistas e construtores da cidade. A Nova Academia, desde 1.399, revivendo os ensinamentos de Platão compete com o Novo Liceu, desde 1.410, dedicado a estudar as obras de Aristóteles, formando assim leigos e "livres pensadores" que não mais dedicam sua obediência intelectual à Igreja. 

As estátuas ganham as ruas. Praças, igrejas e prédios da nobreza são decorados com mármore, ouro, prata, bronze e ferro. Nas casas aristocráticas os quadros se proliferam. Artistas de rua realizam peças dramáticas, cômicas e trágicas, enquanto as procissões religiosas cada vez mais trazem cantos polifônicos, jograis e pinturas sofisticadas. Ordens se dedicam a receber os migrantes, educar os nobres e movimentar a economia. Em 1.414 Lorenzo Ghibert, depois de terminar as portas do batistério, apresenta a primeira estátua em bronze com dimensões de 2,5m, do profeta João Batista, no oratório de Orsanmichele, a pedido da guilda dos comerciantes. O impacto reverberou tanto que todos os demais escultores seguriam a mesma linha, e uma nova forma de escultura, impávida e imponente como Florença, se espalha.

Ao mesmo tempo, a peste assola o campo. Pequenas vilas ao redor da cidade são dizimadas da noite para o dia. Apesar dos esforços da Igreja e da cidade, os médicos não são o número suficiente e a peste se espalha rápido demais. Também ladrões e assassinos crescem junto às estradas que ligam Florença com o mundo, exigindo a presença constante de mercenários e soldados para protegerem as caravanas. Sobreviventes da peste, mendigos e leprosos acabam se reunindo em regiões de bosques e florestas em comunidades tão sombrias quanto trágicas. 

Em 1.417, o conselho legislativo de Florença é convocado. Composto por três representantes das 14 maiores famílias, das oito ordens religiosas mais a arquidiocese e das sete maiores guildas, o conselho só se reúne uma vez por ano, e as reuniões duram uma semana. São oitenta conselheiros no geral, representantes da aristocracia, do povo através das guildas, e da Igreja. Nesse grande encontro, as principais decisões são tomadas pelo próximo ano, inclusive a escolha do podestá, o prefeito, do bargello, o chefe da milícia, do comandante militar e do ganfaloneiro, o juiz máximo que preside o conselho dos dez priores, tribunal de Florença. A inquisição não interfere, mas mantém um observador. 

O renascimento chegou. As cores das pinturas, o arrojo das estátuas, as variações do canto e da música, o livre pensamento e o humanismo. A política republicana em tensão entre aristocratas, burgueses e religiosos. A abundância que convive com a miséria, a riqueza e a pobreza como vizinhas de porta, as transações econômicas continentais e as guerras por territórios vizinhos. Florença é o prenúncio já em realidade do que a modernidade consolidará.
     

Um comentário:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Grande Diego,

Muito bacana esta "atualização" da ambientação.
EMOCIONANTE!!
Me deu vontade de ir pra lá...

Que zica esse negócio de 3 Papas... Sinto que teremos problemas.

Quem sabe o DIlawar possa se candidatar à bargelo... Hehehehe

Um grande abraço,

Hugo Marcelo