19 de setembro de 2010

Episódio 01 - Abdul & família em:


      
A Vida Como Ela Era...
    
Instinto Materno
     
O intrépido mago Abdul Haseeb Muhammad Abn Abdulaziz, quando não está lidando com as artimanhas dos vampiros e os estratagemas da ordem da razão; entre uma batalha e outra contra demônios que desejam destruir Florença, ele leva uma vida comum e pacífica. Sua grande paixão é a família, dedicando a maior parte de seu tempo livre às suas esposas, à educação de seus filhos, à manutenção da casa, do jardim, enfim, solucionando pequenos problemas domésticos.
  

Abdul possui duas esposas, a mais velha é a Amineh Nadira, nascida na Turquia, cidade de Konya, têm dois filhos vivos com esta, e a mais nova é a florentina Bahiya Malika, filha de Yasir, grande amigo e comerciante nascido em Granada.
Estes fatos se deram no final de julho de 1.404, no dia seguinte a grande batalha pelo Óleo dos  Thuata de Danaan, muito provavelmente foi a noite em que Abdul engravidou sua esposa mais nova...

 
Em uma conversa informal com Ishmael, regada a chá
preto, tendo apenas sua narguilé como testemunha,
perguntei-lhe qual era o segredo de seu bom humor
inabalável. A resposta foi "não se preocupe com
absolutamente nada, porque na vida a gente fica
esperando que determinadas coisas aconteçam, mas
talvez elas nunca irão acontecer. A postura mais
sensata diante dos problemas é confiar em Allah
(swt) e deixar que os problemas se resolvam no tempo
Dele, e não no nosso..." Depois de alguns segundos de
silêncio, deu uma tragada, me olhou profundamente nos
olhos de forma tão compassiva que me fez recordar meu
tio Hasan, e me disse: "outra coisa, as crianças são um
Dom de Allah (swt). Aquele que é "Al
Muhyi" é também "As-Salam" [1]. Se quiser
que a paz de Allah (swt) visite seu lar, tenha muitos
filhos..." Confesso que não havia entendido bem seu
sábio conselho, até aquele dia...

 


 

Cenário:
Abdul chegando em casa por volta das 17:30h, exausto após batalha contra os feéricos, encontra sua esposa Bahiya Malika na sala, sentada no sofá, de fronte a porta, esperando por ele, usando um véu de cor escura. Abdul sabe que ela só usa o véu dentro de casa quando está insatisfeita, sendo que, véu escuro, quando está furiosa!

 

Abdul
          (Sorrindo amavelmente)  “As Salam Alaikum” [2] minha flor de Florença, alegria de minha vida.

Bahiya Malika
          Onde você estava? (Secamente)

Abdul
          É assim que você recebe seu marido depois de uma longa e cansativa viagem?

Bahiya Malika
          Onde você estava?

Abdul
          Viajando a trabalho, como havíamos conversado...  Tivemos um imprevisto e...

Bahiya Malika
          (Interrompe Abdul)   Seu trabalho...  Sua loja...  Os negócios...  Tens espaço para tua família na tua tão atribulada rotina?

Abdul
          Tudo o que faço é pensando no bem estar de vocês.

Bahiya Malika
          “Vocês”, quem?
          O senhor não tem nenhuma consideração por sua família, muito menos por mim.  Sabes que dia é hoje?

Abdul
          (Desconsertado)  Hoje? Quinta-feira?

Bahiya Malika
          (Enfurecida)  Hoje, Abdul Haseeb Muhammad abn Abdulaziz, é o 16o. dia do meu ciclo.  Você sabe o que isso significa?  Estou quase no fim do meu período fértil e onde estava meu marido para cumprir com suas obrigações de esposo??

Abdul
          (Irritado)  Cumprindo com minhas outras obrigações de esposo, que inclui garantir nossa sobrevivência.  Além de ter que me preocupar com a segurança de Florença, tenho quatro bocas para alimentar e você, minha esposa...

Bahiya Malika
          (Ainda mais enfurecida)  Hã hãm... Então é isso.  Agora entendi tudo...  Você não quer que eu engravide!

Abdul
          (Pensamento)  “Allah”.
          Querida, do que você está falando?

Bahiya Malika
          (Tom de voz irônico)  Para que mais uma boca para alimentar?  Afinal de contas você já tem 2 filhos, para que mais?
          (Enfurecida)  O senhor inventou esta viagem para se ausentar durante meu período fértil porque não quer ter mais filhos.

Abdul
          (Pensamento)  “Allah, me dê paciência”.
          Querida...

Bahiya Malika
          (Interrompe Abdul)   Confesse Abdul...  Você prefere a Amineh.

Abdul
          (Pensamento)  “Allah, me ajuda”.
          Bahiya, você está sendo muito injusta.  Eu amo vocês igualmente.  Pode um homem amar mais seu olho direito do que o esquerdo?  Pode um homem amar mais seu dedo indicador que seu polegar?  Nós já conversamos sobre isso.  Eu proibi você de fazer este tipo de comparação absurda entre você e Amineh.

Bahiya Malika
          Ela já tem dois filhos e eu nenhum.  Isso é justo?

Abdul
          Bahiya, eu me casei primeiro com Amineh.  É natural que ela tenha filhos primeiro que você.

Bahiya Malika
          Isso tudo é culpa sua!  Se você não me engravidar, eu vou ter uma conversa muito séria com o xeque.

Abdul
          Conversar com o xeque? Sobre o que?

Bahiya Malika
          Sobre sua conduta. Você está faltando com suas obrigações de esposo.

Abdul
          (Irritado)   O que?  Como ousa me desafiar dessa forma?  Além do mais, que culpa tenho eu se você não consegue engravidar?  Já estamos tentando a quase um ano mas...

Bahiya Malika
          (Irrompe choro desconsolado)  Eu sou estéril!!

Abdul
          Querida...

Bahiya Malika
          (Chorando desesperadamente)  Sou como uma figueira que não dá fruto.  Que eu seque e seja jogada ao fogo.

Abdul
          (Se compadece de sua esposa, se aproxima e a abraça por alguns segundos)  Querida, o sagrado Corão não diz isso.  Quem disse isso foi Jesus...
          Minha flor de Florença, é vontade de Allah que a mulher tenha filhos.  Logo, é vontade de Allah que você tenha filhos.  (Pequena pausa)  Por que estás chorando?  Não confias em Allah?  Tens que ser mais paciente...  És fiel serva de Allah, jovem e saudável.  Por que não haveria de ser abençoada com muitos filhos?

Bahiya Malika
          (Entre suspiros)  Você acha mesmo que eu vou conseguir engravidar?

Abdul
          Tenho certeza que sim!
          Confie na generosidade de Allah.  Ele há de nos abençoar com uma criança.  Mas caso você não engravide nos próximos meses, eu conheci umaaa... Como é que eu posso te explicaaarr... Uma estudiosa, “uma sábia” que tenho certeza que pode te ajudar a engravidar.

Bahiya Malika
          (Voz entusiasmada e esperançosa)  Sério marido?  Ela é da nossa comunidade?

Abdul
          Não minha flor, ela é uma religiosa cristã que conheci na Santa Croce.  Muito sábia e tem poder, ou melhor, conhecimento para fazer você engravidar.

Bahiya Malika
          (Mais conformada, suspirando, olha amorosamente para Abdul)  Eu quero um nenezinho seu.

Abdul
          Claro, querida...  Um bem bonitinho...

Bahiya Malika
          (Sorri docemente)

Abdul
          Eu vou preparar um chá para você se acalmar...
          (Olha em volta vasculhando o ambiente)  Cadê Amineh e as crianças?

Bahiya Malika
          Estão na casa de meu pai Yasir.  Farão um piquenique nos arredores de Florença e só retornarão no domingo à tarde.

Abdul
          (Aborrecido e confuso)  Amineh irá com meus filhos em um piquenique com tua família sem me consultar?  Que atrevimento!

Bahiya Malika
          (Voz sedutora)  Dessa forma poderemos ficar a sós e nos dedicar ao nosso futuro filhinho...  (Sorri maliciosamente)

Abdul
          (Sorriso cúmplice)
          (Conformado)  Querida, você sabe que isso não está certo....  Inclusive, porque eu não tenho o direito de privilegiar você.  Tenho que ser justo com Amineh e estar com ela também.

Bahiya Malika
          (Sorri maquiavelicamente)  Nós já combinamos.  Depois que você me engravidar poderá compensar generosamente a renúncia de Amineh.
          (Voz doce e sedutora)  Marido, você me prepararia uma chávena de chá verde?  Soube que chá verde aumenta a fertilidade do casal. (Olhar suplicante)

Abdul
          Claro meu amor... (Abdul se direciona para a cozinha)


Cenário:
Abdul retorna da cozinha com uma bandeja com o chá e duas xícaras, mas não encontra sua esposa. Encontra seu véu jogado aos pés da escada que conduz ao andar superior, onde ficam os aposentos particulares da família. Nas escadas encontra seus chinelos e, defronte a porta do quarto, o jilbaab [3] que usava. Adentra o quarto tomado por saboroso aroma de incensos, e encontra sua esposa com um vestido de cores vivas, bem leve, semitransparente, rendado, e adornada com algumas jóias. Ao vê-lo, caminha em sua direção sinuosamente e começa a dançar. Abdul adentra seus aposentos e se senta no chão.
    


Poucas coisas na vida me davam mais prazer do que
ver as minhas esposas dançando, mas aquele dia tinha
algo a mais de especial.  Estava muito feliz com a
conquista do Óleo para as fadas, e após ter conhecido o
mundo espiritual e estado tão próximo da morte, o sabor
 da vitória era ainda mais doce e estar vivo era quase
um gozo.
A cada movimento de Bahiya, era como se todos os
meus problemas fossem sendo suprimidos.  Allah
 (swt), como é grande sua sabedoria e quão
misteriosa é a vida. Apesar de estar a cada dia mais
conhecedor dos segredos da magia, senhor da "mente" e
do "espaço", detentor de um poder tão grande que eu
ainda não conseguia compreender toda sua amplitude,
a única coisa que eu queria era tê-la em meus braços e
possuí-la.
Quão generoso é Allah (swt) para com este seu
servo tão humilde.
    

_________________________
[1] Dentre os "99 atributos de Allah", Al Muhyi significa "Doador da Vida", e As-Salam, "Fonte da Paz".        
[2] Cumprimento islâmico que significa "Que a paz esteja convosco".
[3] Manto tradicional islâmico que atende as orientações para vestuário feminino do Corão.
   
      

5 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Grande Diego,

Saiba que foi você que começou tudo isso... Hehehehe

Obrigado!

Hugo Marcelo

Fabi Dias disse...

Ei Hugão, quanta imaginação!!!

Adorei seu texto!
Vc merece muitos pontos de experiência!

Bjs

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Fabiana,

Identificou a referência a Aurora feita por Abdul? Hehehe

Hugo Marcelo

Camila Thiemy Dias Numazawa disse...

Noooooooooooossa Hugo!
Caprichou mesmo!
Eu voto por 4 pontos e não 2 pelo prelúdio!
hehehehe
Parabéns mesmo!
Adorei o texto, a escrita do texto e tb as imagens!

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Obrigado Camila,

É muita gentileza sua...

Hugo Marcelo