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4 de novembro de 2011

Capítulo 7 - A Boa Morte: parte II

   
Acordei com o rosto colado no chão arenoso. Reconheci o barulho de pessoas. Muitas pessoas. Elas estavam conversando. Ou melhor, negociando, comprando e vendendo. Sim, estava em uma feira bem parecida com aquelas as quais me acostumei a freqüentar quando ainda roubava livros.

3 de novembro de 2011

Capítulo 6 - A Boa Morte: parte I

O ritual começou. Deitado, eu estava dentro de um círculo de fogo e vozes desconhecidas falavam em línguas estranhas. Eu era o personagem principal daquele evento e nem mesmo sabia quem havia me convidado.
Um a um eles entraram no círculo sem sofrer incômodo pelas chamas. Dirigiam-se diretamente a mim e, com vasos cheios de líquidos estranhos - que exalavam o odor do anil -, untavam meu plexo solar. Por fim, quando três deles já haviam realizado sua parte no ritual, o último adentra o círculo, cercado por três pessoas – ou seriam zumbis? – carregando um braseiro, um punhal e uma pequena caixa.


27 de outubro de 2011

1º Interlúdio - As origens de Heráclito






Heráclito nasceu na maior ilha das treze periféricas existentes na Grécia em 1881. Situada ao sul do mar Egeu, Creta guarda o mito de ter sido o antigo lar do mítico minotauro¹.

Cap. 5 - Aceitar a morte



Se o brilho de uma centena de sóis
   Fosse queimar de uma só vez no céu
   Seria como o esplendor do Poderoso
   Eu tornar-me-ia Morte
    O estilhaçado dos mundos

- Bhagavad-Gita




24 de outubro de 2011

Diksha - A experiência da morte



Também chamado de despertar tanatóico, o Diksha ocorre quando um Eutanatos se aproxima da morte para conseguir alcançar uma vida nova como mago.

Cap. 4 - As chamas de Hades


Um dia inteiro já havia passado. Ninguém veio ao meu socorro e o som de chacais se aproximando tornava a minha situação cada vez mais crítica. Morrer não me assustava verdadeiramente, mas sim a fúria que receberia de Hades por não conseguir sequer começar a cumprir seus desígnios.

Lembrei-me de algo. A sala de tortura. Sim, estive lá. Onde está Parmênides? A insistente raiva passada tentou se manifestar novamente e senti que estava prestes a me aprisionar em definitivo no círculo da Loucura. Entretanto, algo novo surgiu. Algo que, a princípio, não fazia sentido. Lembrei como havia chegado naquela savana.


(Senti o primeiro impacto do abutre. Seu bico tentou tirar um pedaço de pele da minha cabeça ao mesmo tempo em que quis descobrir se ainda estava vivo. Gritei para que fosse embora. Ele foi. Por enquanto.)

23 de outubro de 2011

Capítulo 3 - Os chacais da savana


Acordei. Fiz a pergunta que frequentemente as pessoas se fazem quando acordam sem saber onde estão. Sem saber a resposta, passei a buscar alguma visão que me recordasse. Nada.

A Jhor de um Euthanatos


Para ser chakravanti, um mago precisa entender e aceitar a morte como algo natural e consequente da vida. Porém, quando a aceitação eventual da morte e da destruição se substanciam interiormente em frieza e corrupção, a Jhor começa a se manifestar.

11 de setembro de 2011

Capítulo 2 - Entendendo o inferno

Caminhar no inferno não é nada agradável. Mesmo para mim, que concentrei meus estudos nas artes da morte, estar ali era doloroso. Não falo de flagelos físicos – sim, eu os sentia, mas esse não era o pior dos meus problemas -, mas sim da angústia de pensar que poderia sentir aquilo para sempre. E foi assim que percebi qual seria o meu caminho.

21 de janeiro de 2011

Capítulo I - A dor transcendente

      
- Fala, desgraçado! Quanto tempo ainda queres suportar?

Não recordo o número de vezes que o glutão suado havia perguntado aquilo, mas ele mesmo já estava cansado de me torturar. Parecia não ter mais ânimo para continuar. Nem eu.
No começo me forcei. Deveria controlar a dor. Aceitá-la. Gozá-la. E, com o tempo percebi que, após tanta mutilação, meu corpo havia adormecido. A dor se espalhara por todos os lados me aprisionando em uma espécie de transe. Assim, continuei por dias seguidos, recebendo múltiplos e sucessivos ferimentos, tanto físicos quanto psicológicos.
O lugar fedia. Ratos e baratas me cercavam e me acompanhavam nos escassos momentos de cessação da dor. Eu os ajudava lhes dando um pouco do meu sangue podre e eles me ajudavam servindo como alimento. Com sua ajuda pude saciar minha fome por muitos dias.

8 de março de 2010

Perfil Chakravanti (Eutanatoi)

    
Como todos sabem, uma encruzilhada é o caminho mais certo para o Mundo Inferior. Desse modo, é adequado que uma encruzilhada entre quatro culturas diferentes levasse à Tradição Tanatóica: os estranhos Chakravanti, ou Eutanatoi, que velam pela Arte da mortalidade.

Como folhas de uma árvore no outono, esses magi cuidam do momento entre a vida e a morte. Reencarnacionistas hereges, eles vêem a Criação como uma Roda da Morte e do Renascimento a girar continuamente. Quando algo — ou alguém — interfere no movimento da Roda, o obstáculo deve ser removido. O método de remoção pode ser tão simples quanto uma palavra gentil ou tão definitivo quanto um assassinato. Nenhuma outra Tradição inspira tanto medo quanto os Chakravanti. Mesmo os mais amáveis entre eles parecem demônios do Inferno aos olhos dos outros.