6 de setembro de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 49 – Valentina


Era tempo de paz, pelo menos uma trégua. 

Valentina me fez sentir mãe pela primeira vez. Já acostumada com minha presença, começou a falar e fazer conotações de carinho. 

Heráclito a via como uma possibilidade de se livrar das indiretas que meu pai lhe dava em relação a não ter netos. Disse a ele que em uma das viagens de Heráclito, uma das mães lhe deu a menina por não poder sustentá-la. Meu pai, com o vazio no seu peito e na casa, não perguntou mais nada e acreditou naquela estória sem desconfiar de nada.

Disse também que ela deveria ficar em casa, para manter sua saúde, pois tinha pego uma doença nos pulmões que deveria ser tratada e que não poderia ter contato com muita gente.

Valentina possui uma lucidez incomum, sempre perguntava o que não poderia se perguntar e tentava sempre sair de casa para conhecer novos lugares e pessoas. É claro que por alguns meses, isso foi fácil. Mas depois de 1 ano em casa, já compreendia muito bem a palavra liberdade e isto se tornou um impasse.

Após algumas conversas com Heráclito e Sra. Ausra, decidimos levá-la a Kupala, para que pudesse desenvolver suas habilidades e pensamentos com total liberdade e naturalidade. Era inédito uma menina despertar de forma tão jovem. Sra. Ausra estava intrigada e encantada com a possibilidade de mais uma verbena “florescer” em meio ao caos de Florença, e depois de tal trauma vivenciado e jamais esquecido por ela.

Meu pai na hora concordou em levá-la, acreditando que era para aprender os costumes de nossa terra. Ele mesmo a levou na minha companhia.
Foi duro ter que deixá-la, mas sabia de minha missão tão importante para nós, magis. 

Valentina não gostou muito da notícia, mas logo deixou a sua teimosia quando disse que lá, ela viveria sem ter a necessidades de se esconder e que poderia conversar com os espíritos sem ser perturbada ou jogada na fogueira.

Prometi conversar com ela uma vez por mês, quando ela pudesse estar em Eska, sem nenhum perigo em sua volta. 

Meu pai por muito tempo ficou indo e vindo, enquanto ela, ficava aos cuidados daquela que fez o meu nascimento terrestre e o despertar.

Via naquela menina a esperança novamente florescendo em tempos melhores e a minha filha refletida naquele singelo sorriso, preenchido por uma personalidade muito forte e rebelde.
  
  

3 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Como é forte o instinto materno...

Camila Numa disse...

Pra uma verbena então...

dklautau disse...

Sim! instinto materno!

Muito boa a relação entre a vida entre os adormecidos (pai) e os despertos (Ausra e Eska).

Valentina foi um excelente descrição do amadurecimento da Svetlana. Muito boa a inserção da personagem.