6 de setembro de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 48 – Tomates e a Inquisição


Como explicar tal aparecimento desta menina em casa, enquanto a inquisição percorre nossas ruas. Necessitaria de muita magia para permitir a sua permanência em minha casa.



Ela ainda dormia enquanto admirava seu rosto sujo, mas agora, sereno. Lendo seus sonhos, percebi seus medos e vivenciei o seu passado em forma de imagens rápidas, porém muito claras.

Ela e sua mãe estavam na floresta, próxima das áreas dos Garou. Ambos porém se respeitavam, sem comunicar-se, respeitando cada qual, o limite de suas áreas.
A mãe era branca, camponesa que trabalha revendendo tomates no centro da cidade. Desde sempre, muito embora uma mulher sem instruções, seja acadêmicas, religiosa, moral ou magi, sabia que algo existia em sua filha. Ela sorria de forma estranha a seu pomar, conversava com a terra e isso, de certa forma, fazia com que sua produção tivesse os melhores dos tomates e os mais perfumados do local.
Contudo, com a chegada da inquisição, veio também o despertar da menina, ainda com 6 anos de idade. Demorou 1 ano somente, para que ela começasse a falar de coisas que sua mãe ignorava.

Cada vez mais a menina agia de forma anormal, conversando com o vazio, desaparecendo com pequenos objetos na sua frente, e acelerando o processo de cultivo de tomates na sua horta.



Este foi o grande problema. Camponeses que passavam por ali todos os dias, sempre observavam a mesma cena: um dia, sem tomates, no outro verde e no dia seguinte já maduros e suculentos. Foi a desculpa para denunciar a Inquisição o fato da mulher solitária com uma menininha a sumissem e que pudessem assim, pegar “por direito” mais terras para a ampliação necessária de seus cultivos*.

Em um entardecer, Valentina sentiu algo de estranho e disse a sua mãe: “Eles estão vindo levar-nos à fogueira!”. Sua mãe na mesma hora percebeu o que aconteceria. Pegou algumas roupas e restos de animais que estava cozinhando dentro do fogo, e a escondeu em uma árvore cujo havia um grande buraco oco no tronco. Como já estava escurecendo, não iriam conseguí-la ver.
“Vale, não sai, não importa o que aconteça!”. Foram as últimas palavras que ouviria de sua mãe.



Ela retornou correndo e começou a atear fogo na casa. Logo a inquisição chegou e a levou pelos cabelos sendo chicoteada, enquanto muitos rezavam tentando exorcizar o demônio de seu corpo.

O que não se esperava, era que os cachorros que estavam lá, começassem a latir em sua direção. Transtornada, Valentina começou a correr em direção oposta tentando fugir, pois o medo a invadiu.
Dois dos peregrinos com os cachorros perceberam e começaram a persegui-la em uma ação desumana e asquerosa.
O fogo da lareira aumentou e percebi que deveria me controlar e pensar da melhor forma de fazer com que tudo pudesse acabar, sem grandes consequências para ela e para mim.


*Atitudes comuns, como explicadas no texto La bella Firenze
  
  
   

3 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Muito bacana...

Hugo Marcelo

Camila Numa disse...

;)

dklautau disse...

HUmmmm... Svetlana conseguiu dar vazão ao instinto materno??? interessante!