5 de setembro de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 47 – Olhos abertos


Estava correndo, gente me perseguia. As ruas de Florença, todas de pedras, estavam maiores do que o habitual. 

Minha transpiração marcavam minhas roupas pequenas e sujas. Ouvia gritos e me lançavam tomates. 
Continuava a correr em uma noite qualquer. Ouvia lá atrás, cachorros latindo e o frio que entrava em minha boca me arejava com mais impulso. Pensava: “Socorro! Alguém a de me ajudar!”. Não compreendia como tais pessoas me quisessem tão mal!


Haviam pessoas na minha frente fechando portas com muito medo, o chão ainda se encontrava sujo das feiras que naquela tarde se fizeram presentes, com cascas de frutas, penas de galinhas e outros tantos ramos de legumes jogados por lá.

Meu peito estava preso em um coração angustiado de dor e sofrimento. Além de surpresas sem compreender o que acontecia. Escorreguei ao virar a esquina.
A minha vista por vezes, ficava obscura, mas sabia que deveria manter os olhos abertos e seguir. Me levantei novamente e continuei a correr. Pude sentir o odor de carne queimada de longe e gritos ainda mais altos!

“Continue, continue”, pensava. “Mas para a onde?”. Virei a esquerda, depois a direita e continuei reto. Passei por uma praça, corri e escorreguei mais uma vez!
Ao me levantar, percebi que minhas mãos estavam ensanguentadas por causa da queda, mas tinha que persistir. Senti uma voz que me disse: “A direita agora!”. E assim o fiz. Reconheci a ruela que encaminharia diretamente a minha mais acima. Os passos aumentavam e minha respiração estava mais cansada e oprimida.

Acordei com barulhos de cachorros latindo e gruindo alto! Me levantei da cama toda ensopada e desci correndo até a porta de casa. Ao abrir, eu me vi, e ela se viu. Peguei-a em meus braços e fechei a porta em um ato muito rápido, dispersando o cheiro dela no vento para frente, enganando os animais e seus guiados. Segurei-a em meus braços e a levei para meu quarto. Levantei seu rosto, ainda coberto pelo capuz e ela me olhou, reconhecendo diante dela alguém que a compreendia.

“Valentina” disse. “Você se chama Valentina, minha menina!”. Com um pequeno sorriso, e compreendido que tinha conseguido se comunicar com alguém, desmaiou em meus braços cansada e enfim, segura.

3 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Nossa Camila,

Foi uma das melhores postagens que vc já escreveu. Excelente!

Suponho que Valentina seja a "maga aprendiz das verbenas"...

Emocionante!

Hugo Marcelo

dklautau disse...

A gente tem que combinar umas férias em Florença. Talvez um mês ou 20 dias, mas só para poder respirar e sentir todo esse cotidiano de pelo menos três anos de jogo... Excelente postagem. A Valentina é muito bem vinda.

Camila Numa disse...

É isso mesmo Hugão.
Ela ainda não tinha aparecido e estava procurando uma maneira de colocá-la no jogo.
Férias mestre?
Nããããão!
hahahahahaha