12 de abril de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 43 – Força

  
Em Kupala Alka era tudo ao extremo. A cidade no inverno congelada, parava e se eternizava com toda aquela neve acima dela.



Muitas vezes Sra. Ausra me obrigava a nadar no rio, mesmo que ainda tivesse parte dele congelado na superfície. Era brutal e doloroso. Sentia milhares de facas adentrando minha pele.



Nos dias de grandes tempestade, ela me colocava lá fora, próxima às árvores mais altas e mandava me subir para sentir o vento, a água da chuva forte que me machucava, tamanho eram suas gotas. Ficava balançando de um lado para o outro como uma folha sobre um rio que vai descendo com muita velocidade. Isso sem falar os raios que sempre buscavam a mim.



Quando chegava o verão, me colocava para fica parada em pé no meio da correnteza do rio que já havia matado muito de meus conhecidos da cidade.

Isso quando no verão, não me mandava ascender uma fogueira em pleno sol de meio dia e ficar próxima, o mais próximo possível dela. “Olhe para o fogo, olhe para ele”, ela dizia. 

Na escuridão me mandava correr...

Muitas das vezes caia do alto as árvores, me machucava seriamente, partes de meu corpo eram congelados a ponto de se quebrarem. 

Muitas das vezes, pelo cansaço desmaiava no meio do rio e acordava com ela me olhando no leito com o olhar de reprovação, ou quando aparecia com bolhas na pele do tamanho de rodas de carruagem. 

Outras vezes, tinha queimadura na retina pro me aproximar demais o olho do fogo... 

Lembro-me também da vez que quase caí de um precipício devido não enxergar nada.

Isso foram durante meses e meses acontecendo quase todos os dias. Até que finalmente ela sentou do meu lado e revelou:

“Você está cega e morta. Não consegue conversar e sentir toda essa força que existe ao seu redor. Tem que aprender a compreender como elas funcionam para dominá-las. Senão, serás sempre dominada! Pare, escute, sinta, perceba, compreenda e aí então aja! Não só você precisa disto. Nós também contamos com você minha menina...” 

Ela tinha razão. Sempre teve razão!

Anos depois aprendi a parar, escutar, sentir, perceber, compreender e agir. Hoje domino tempestades, luz, relâmpago, escuridão, eletricidade, gravidade, magnetismo, calor, fogo, vento e seus movimentos, furacão...
 
Faço agora parte deles e eles de mim.
  
  

2 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Camila, gostei muito desta pastagem. É uma das melhores que vc escreveu. O início parecia treinamento militar, mas aos poucos foi ganhando sentido o sofrimento. A individuação de Svetlana!

dklautau disse...

A Svetlana como arquimaga está próxima! A compreensão das esferas se apresenta como um reflexo do poder... isso é arete.