12 de abril de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 42 – Primórdio

Foi na companhia de Aurora que mais me encontrei quando entrei no Cray. Minha casa não tinha mais valor e meu pai estava quase temendo que me tornasse freira. Tivemos várias discussões. Ele chegou um dia até cogitar uma paixão platônica por algum frei o Cray.

“Veja só...” pensei.

Mesmo assim saia de manhã e só voltava no final da tarde quando ele mandava um dos criados me chamar. Por diversas vezes usei meus poderes para fazer com que eles voltassem, pensando que não estava por lá.

Um dia ele simplesmente cansou de implicar. E começou a entender quando falei que rezava para que pudesse encontrar um bom marido. Uma tal de promessa.]
Quando aparecia por lá, ficava apreciando seus tubos de ensaio, pergaminhos, varinha e outros materiais com o que ela frequentemente andava para cima e para baixo.

Uma jovem mulher muito bonita que com toda a simpatia do mundo foi logo escolher o Arthuro para se casar. Talvez seja por isso que ela seja assim, meio perdida às vezes.

Aurora estava ali, próxima ao vitral praticando seu rito como convencional, para a extração de mais quintessência. Foi em um dos dias ao observá-la que senti algo queimando em meu corpo. Ao olhar percebi, uma tatuagem apareceu e desapareceu no mesmo momento.

Ao retornar meu olhar novamente à Aurora, vi saindo dela um sorvo... Meu corpo queimou novamente.

Olhando para meu braço, vi tatuagens nascendo em mim, com desenhos que se movimentavam quando andava.

Levantei e compreendi a aparição, sem mesmo nenhuma explicação concreta. 

Caminhando aos poucos em direção a Magi, repetindo seus movimentos, mas sem os seus instrumentos, as tatuagens foram ficando cada vez mais aparentes e iluminadas.
Um cheiro diferente adentrou minhas narinas. Era a primeira essência, a força odílica, a natureza fundamental a trama... Com isto, fiquei embriagada. Em tudo que olhava pude sentir aquele elemento que não era visível. Estava em várias partes: na Santa, em Aurora, em minha pele, nos instrumentos, no altar, nos animais que voavam e que via pelas janelas,...



Percebi enfim que aquela magia em mim se tratava da minha quintessência canalizada em um fluxo até então pra mim irreal... me droguei...
  
  

2 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Grande Camila,

Gostei do final. Svetlana embriagada... Heheh

dklautau disse...

HAhahahahahahah, o casamento com Arthuro foi um acordo político, conforme as regras da época! Mas além disso, a ligação Médici e Riccardi é histórica! A quintessência é a base de tudo o que existe... é o combustível de toda a magia e o plano onde a mágica flui...