28 de março de 2012

Svetlana Olen ¥ Cap. 41 – Mente

Evolução da esfera: mente.
  
 
Meu pai chegou depois de semanas de viagens a trabalho e ao me olhar, pareceu triste e espantado ao me ver.

“Papai, precisa de ajuda?”

- “Não minha filha. Obrigado!”

“Não parece estar tranquilo? O que aconteceu?”

- “Nada Svetlana. Deixe o seu velho pai com seus pensamentos”. 



Ele me preocupou. Não estava se sentindo nada bem. Quando sai de seu bureau, olhei para trás e escutei: Como direi que ele morreu?

“Ele quem papai?”

-“Ele o quê?”

-“Quem morreu papai?”

-“Mas o que está dizendo menina? Quem falou de morte? Estou assim por que estou pensativo!” Nossa, mas está tão claro assim? Nem de preto eu estou.

“O senhor não está, mas disse!”

-“Minha filha, o que está acontecendo? Não vê que estou preocupado? Você seria bondosa e me deixar sozinho? Peça somente para Daniela me trazer uma taça de vinho, por gentileza!”

Continuei ali parada. Olhando para ele de costa.

Me parecia alguém tão forte, saudável e resistente. Maldita peste! Bruno meu amigo...

“O que aconteceu com ele papai? Peste?”

-“Ainda está aí Svetlana? Quem lhe contou? Leu minhas cartas? Não tem vergonha menina? Tamanha mulher...” E que já deveria estar casada e me dando um pouco mais de felicidade com uns netinhos...

“Papai, não me venha torrar a paciência agora! Diga o que aconteceu!” DIGA!

Ele parecia não me reconhecer. Daí começou a me falar tudo aquilo que sabia sobre Bruno. Havia anos que continuavam a se escrever por conta de comércio na França que tinha aumentado, mas desde quando descobriu que Bruno era casado, desistiu da ideia de me noivar com um homem assim.

“Ele pegou a peste. Um padre francês escreveu a carta me contando da contaminação que estava acercando Avignon. Este mesmo padre tentou salvar sua vida, mas foi inutil. Já estava condenado. Um homem tão bom, culto e religioso... Algo muito triste minha filha... muito triste!”.



Saí daquele ambiente e fui para o meu quarto. De repente, todas as vozes dos criados da casa me faziam enlouquecer!

“temos que pôr mais tempero...”, “Ainda há sujeira neste canto!”, “...tenho que sair para dar água aos cavalos”, “...onde se meteu esse moleque”, “mais uns minutos e tudo ficará pronto!”, “Pobre Bruno... meu caro. E como estará sua esposa?”...

As palavras foram se multiplicando...

CALADOS! pensei.
E eles me obdeceram...
  
  
  

2 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Bacana!
Agora Svetlana está aprendendo a dominar a Mente humana... Hehhee

dklautau disse...

O poder direto da mente representado pelo domínio do pai e dos criados. Essa Svetlana está ficando uma potência da natureza!