24 de março de 2012

Olho de cristal ¥ Vidas por Vida: janeiro 1417 Sessão 29/10/11

Freia apareceu e disse:
“Vamos caminhar!”

Mesmo que não quisesse, ela me levaria, então a segui.
Em um campo enorme, vimos uma copa gigante de uma árvore cheia de folhas vibrantes.  Ao seu redor, outras árvores secas...



Ela continuava a andar, não parecendo querer apreciar nada.
O tempo foi ficando mais quente e aquela árvore gigante foi ficando monstruosa de certa forma a medida que fui me aproximando e percebendo que sua grandeza me trazia um certo medo.

Ao chegarmos mais próximo, quando atravessamos a última colina e pudemos observar a parte de baixo, que até então, não dava para ver, vi várias caixas de madeira, sendo que todas elas estava prezas a raízes das árvores.

Eram milhares, espalhadas ao redor. Sem perceber anteriormente, quando levantei para cima, para olhar sua copa, percebi que o céu estava bem mais vermelho, com aquela lua cheia vibrando no céu e algumas nuvens acinzentadas como quando era inverno em Kupalla.



Freia continuou andando e se sentou próximo as suas raízes. Eu, continuei a andar até me aproximar de uma dessas caixas.

“Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!”, gritei com tamanho susto que havia tido!

Percebi que dentro desta caixa próxima ao meu pé, no meio das raízes que a circundavam, tinha um bebê me olhando carinhosamente. Ao arrancar parte das raízes, ele começou a chorar, por certo de medo, mas quem teve este sentimento invadido fui eu.



Percebi que uma das raízes que ali se encontrava, estava conectada ao umbigo da criança. Era estranho pensar que uma árvore assim, tão grandiosa pudesse nutrir tal criança! 

Ao me virar para olhar dentro de outras caixas, vi que todas elas tinham crianças das mais distintas cores de pele, cabelo, nariz, boca... a única semelhança era a cor dos olhos. Todas de um azul profundo.

Aquela criança que havia tirado as raízes ao redor, chorou. Aparentemente de frio. Ela já parecia não mais precisar de estar na “barriga” da árvore. Por instinto, a peguei no colo e cortei aquela raiz que a mantinha conectada. 

Ouvi um estalo. Ao olhar para cima, um enorme ganho da árvore caiu, seco, muito próximo de Freia. Ela, me olhando, tinha uma criança no colo, subiu no seu cavalo e deu um sorriso.

Senti um frio. Abaixei a cabeça e ao olhar para aquela criança em meus braços, com os olhos azuis celeste e a moldura branca de seu pequeno rosto, me hipnotizaram. 



Através do olhar, vi um homem olhando. Era um soldado lituânio forte, saudável e com um belo sorriso. Aos poucos seu semblante foi se esvanecendo até se tornar um velho. 
 
“Seria um processo de tempo da sua imagem?”, mas esse pensamento foi desmentido, pois ao olhar para o lado, me vi através o reflexo do espelho!
Voltei a mim! E a criança olhou para o seu umbigo. Uma mancha negra ia se irradiando e tomando conta de todo o seu corpo. Ela pouco a pouco foi apodrecendo. Larguei-a! E ao cair no chão, ela se tornou pó!

Nesta hora, todas as crianças começaram a chorar e o balançar da árvore foi se agitando...

Na caixa onde tinha tirado aquele bebê, um novo embrião estava nascendo de outra raiz.

Outras crianças que estavam chorando, iam sendo sugadas e viravam pó!
Ao olhar para Freia, ela com um sorriso me disse:

“Desde de que você despertou, não me tem feito descansar. Tenho prazer em levar seus filhos comigo”.

Aquele fardo era o maior de todos. Tantas vidas consumidas para preservar a minha. Compreendi a razão de minha esterilidade e destino na luta pela Vida.

2 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Camila,

Muito interessante...

Hugo Marcelo

dklautau disse...

Eu definitivamente gosto muito da Svetlana... Essas postagens tem sido realmente uma investigação sobre as potencialidades e limites da condição humana.
Obrigado pelo brinde das postagens feitas após nossas sessões de sensibilidade fina.