22 de março de 2012

Olho de cristal ¥ O dom da vida: outubro 1404 Sessão 03/10/10 Parte II

  
   
Ao sentir a cimitarra sendo cravada no pilar, o público começou a se contorcer e a gritar, mas desta vez de dor e pânico. Seus gemidos e vozes iam se tornando agudas e diminuindo de tamanhos.

Muitos deles derreteram, outros se tornavam poças de gorduras amarelas no chão, se mesclando com o vomito que estava sobre ao redor dos baldes.

Os guardas correm para lutar contra Abdul, enquanto outros me seguram. Petronius me olha com raiva, mas gira o rosto quando um brilho de uma armadura gabrielita surge no meio da multidão.

Naquele dia, não só reencontrei Petronius, mas aquele padre desgraçado que tentou um dia me separar de Freia. O calor dentro me mim cresceu e fui ficando cada vez mais irada com a mistura de sentimentos que estava sentindo naquele momento.
Os dedaleanos lutavam conosco pela primeira vez contra um mal maior. Nossos orgulhos foram deixados de lado para combater o pior.

Foi aí então que sem esperar, um dos dedaleanos me entrega uma caixa. Ao abrir, ele gritou que conjunto em minhas mãos tinham ampolas e que uma dessas deveria ser implantada na onça.

Imediatamente, lembrei-me de Abdul e sua incrível capacidade de se transportar em vários lugares, já que eu, estava muito abaixo do lustre. E entreguei-lhe acreditando em fazer a coisa certa!

Abdul conseguiu chegar lá em cima graças aos seus poderes, e depois de várias tentativas e relutância da onça, o lustre caí, mas Abdul consegue se salvar, mas as ampolas se destruíram com a queda! 

Pressentindo o perigo, a onça fez um movimento com a cabeça e solta um som indescritível, fazendo com que Cérbero, um cão com várias cabeças aparecesse. Ele saiu invadindo a arena e saiu engolindo a todos aqueles que estavam na sua frente ou esmigalhando com suas patas. A onça vibrava e já estava se transformando em algo real. Sua transparência ganhava opacidade, para o nosso desespero.


Foram gritos e lutas, momentos aterrorizantes e sem controle que passaram em segundos. Ainda neste momento, não tinha controle direito de meus pensamentos. Tudo vinha a tona e nada para refletir, a não ser, defender-me!

Após várias tentativas, e vários erros, ao ver com o outro maçônico com a última ampola nas mãos, joguei meu pó no ar e fechei os olhos. Ao abri-los novamente, vi através do desenho do pó, uma cena: Cérbero então destrói a ultima ampola quando pega o maçônico e o morde com uma das cabeças, enquanto as outras duas destroem o resto de seu corpo e a abertura do inferno se abrindo completamente.
Foi aí então que gritei a Abdul dizendo que havia esperança, pedi para que continuasse a lutar contra Pedro, mas que me ajudasse a ser transportada no momento exato para cima da cabeça do Cérbero. Assim ele o fez. E quando uma das cabeças do cão demoníaco ia atacar o maçônico, o empurrei e peguei a ampola que estava em suas mãos. 

Abdul imediatamente me transportou para a cabeça do cão e pude no momento que apareci, cravar a ampola nele, impedindo que a onça se materialize.

Imediatamente o cão é tragado e quando Abdul ia golpear Pedro, este se segura no cão e vai embora ferido, mas ainda vivo.

Não sabia se estava com raiva por ele ter fugido, ou feliz por Abdul não tê-lo matado. Isso era algo que deveria ter sido feito por mim. E vai ser feito ainda.
Ao me levantar, percebo o maçônico ainda atordoado, não compreendendo como pude ter sido tão rápida e que mesmo com o braço quebrado, havia salvado sua vida. Ao invés de agradecer, virou e foi embora com os outros. Todos nós sabíamos que ainda haveria mais oportunidades de nos confrontarmos. Mas não naquele dia.
   
   

3 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Camila,

Muito bacana esta postagem.
Essa sessão de jogo é inesquecivel.

Hugo Marcelo

Camila Numa disse...

Não tem como esquecer mesmo!!!
Medo!
hahahahha

dklautau disse...

O inferno de Dante é tenebroso mesmo. Quem sabe vocês ainda tem que resolver algumas coisas por lá? Se as saudades são tão grandes, podemos rever algumas coisas!