14 de julho de 2011

A Imprudência de Sakinah al-Rashid



Confesso. Por alguns instantes fiquei indignado do Imam Jafar ter me deixado sozinho com os Assamitas. Cheguei a pensar que se tratava de mais uma de suas piadas. Mas depois de alguns segundos percebi que ninguém viria em meu socorro e que caberia a mim, Abdul Haseeb, honrar o Cray de Santa Croce.

Após o súbito desaparecimento do Imam Jafar e de Ishmael, os Assamitas e Abdul se observaram por alguns segundos, até que o silêncio se tornou desconfortável.
Abdul – Caros Assamitas, talvez devêssemos começar pelo mapa de Florença.
Asadullah – É uma boa idéia.
Se aproximam da mesa e Abdul didaticamente explica a geopolítica da cidade, enfatizando os estratagemas dos cainitas.
Asadullah – Então os vampiros do Palácio Vecchio foram eliminados pelos unseeli?
Abdul – Acreditamos que sim.
Al-Arqam – Curioso.
Husam al-Khalid – E com relação aos carniçais?
Abdul – Estão por toda parte. Infiltrados nas guildas, nas ordens religiosas, nas principais famílias de Florença...
Asadullah – Estão muito bem articulados.
Abdul – Sim. Os cainitas têm uma vasta rede de influência.
Abisali Aiman al-Jamil – Onde estão aqueles que devemos destruir?
Abdul – Bem aqui. Na Basílica di San Miniato al Monte ou nesta construção anexa, o Palazzo dei Vescovi.
Asadullah – Fora da cidade, em um local reservado. Típico dos Tremeres.
Abisali Aiman al-Jamil – Gárgulas?
Abdul – Sim, Abisali. Quase mataram um mago há alguns anos atrás.
Abisali Aiman al-Jamil – Quantas eram?
Abdul – Não temos certeza. Poderemos conseguir mais informações de Arthuro, o mago que foi atacado.
Al-Arqam – Quantos Tremeres moram aí?
Abdul – Não sabemos.
Asadullah – Você teria um mapa desta Basílica?
Abdul – Apenas este.
(Disse Abdul enquanto abria um velho pergaminho com um esboço da nave central e as principais entradas.)
Asadullah – Isso não é o bastante, precisamos de um mapa mais detalhado.
Abdul para por alguns instantes e permanece pensativo. Depois pede licença aos convidados e se retira por alguns minutos, então retorna com um monge franciscano.
Abdul – Caro Frei Antoni, peço desculpas mas não temos tempo para apresentações formais. Estes são nossos amigos do oriente. Precisamos de sua ajuda. Conheces bem a Basílica de San Miniato al Monte?
Frei Antoni – Sim, senhor Abdul. Eu fiz um retiro de 10 dias em San Miniato quando fazia meu discernimento vocacional.
Abdul – Por favor, sente–se. (Fez um movimento com as mãos e os mapas se enrolaram deixando a mesa limpa.) Com sua licença.
Abdul permaneceu de pé com as duas mãos sobre a cabeça do Frei Antoni e começou a recitar algumas frases do Corão. Seus olhos brilharam, o que alarmou Abisali, sendo contido por Asadullah. Em seguida o frade entrou em um tipo de transe e sobre a mesa começou a se formar uma imagem.
Primeira Imagem projetada por Abdul
Abdul – Esta é a Basílica de San Miniato al Monte.
Al–Arqam – Impressionante! Sakinah, por favor apague essas velas.
Abdul – Agora, meu bom Frei, concentre-se na fachada externa da Basílica.
Neste momento uma imagem se formou sobre a mesa, inicialmente disforme, pálida, depois quase tão nítida como uma fotografia. Abdul então, lentamente, exibe uma visão 3D em 3600 a partir da fachada externa.
Abdul – Frei Antoni, por favor, mentalize o interior da Basílica, a nave central.
Novamente, uma imagem em 3600 se forma, permitindo que os Assamitas visualizassem cada detalhe do interior da Basílica. Abdul examina sua mente, mas não encontra mais nenhuma memória da Basílica, como se alguma magia tivesse bloqueado a “fixação” dessas memórias.
(Pouco antes de concluir sua magia, Abdul se assusta com um vulto de uma mulher trajando um hijab que tentava espionar sua mente.)
Abdul – Vejo que és uma maga poderosa, senhora Sakinah al-Rashid.
Sakinah – Perdoe–me, senhor Abdul.
Abdul (sorriso misterioso) – Está tudo bem.
(Frei Antoni lentamente desperta de seu transe).
Abdul – Frei Antoni, muito obrigado. Foi de grande ajuda. Pode se retirar e voltar aos seus afazeres.
Frei Antoni – À seu dispor, senhor Abdul. Com licença.
(O franciscano se retira sob o olhar atento dos Assamitas).
Al-Arqam (acariciando sua barba) – A Basílica se localiza no alto de uma montanha e a única forma de chegar lá é por aquela escadaria estreita.
Husam al-Khalid – Os Tremeres escolheram um lugar muito difícil de ser invadido. São muito espertos.
Abisali Aiman al-Jamil – Pior do que isso. Não sabemos onde é a entrada para o esconderijo dos Tremeres.
Husam al-Khalid – Seria prudente conseguirmos mais informações sobre suas defesas, quantos carniçais possuem, onde estão as Gárgulas...
(Al-Arqam parecia pensativo, ficou em silêncio por alguns minutos, depois esboçou um leve sorriso e um brilho no olhar ).
Al-Arqam – Abdul, você tem poder para criar portais?
Abdul – Sim, desde que conheça o local.
Al-Arqam – Acho que sei como lidar com esta situação, como conseguir mais informações à respeito desta capela Tremere.
(Al–Arqam olha para Sakinah e sorri).
Asadullah (olha para al-Arqam e depois para Sakinah, com preocupação) – Não sei se é uma boa idéia. É muito arriscado.
Sakinah al–Rashid (decididamente se coloca de pé) – Acho que me sairei bem.
Al-Arqam – Pois que assim seja. Abudl, o que os monges de San Miniato al Monge devem estar fazendo agora?
Abdul – Às 03:00h estarão todos reunidos na Basílica para orarem.
Al-Arqam – Ótimo.

Ainda não havia me dado conta que um ousado plano para a tomada de San Miniato al Monte teria início naquela mesma noite.  Felizmente, não estava mais inseguro com relação aos Assamitas.  Quando Sakinah tentou invadir a minha mente, eu pude examinar a dela e verifiquei seu passado, sua dedicação ao seu Clã e sua fidelidade ao Islã.
Que Allah (swt) nos guie nesta missão...
      

2 comentários:

dklautau disse...

Doctor, desse jeito até parece que essa crônica foi jogada mesmo!
Muito bom. Quem diria que o Abdul finalmente iria se vingar dos tremere... Cara vingativo esse Abdul!

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Diego,

Obrigado por seu comentário.
Abdul não é vingativo, é justo!

Abdul não busca vingança, quer livrar Florença da tirania dos vampiros.

Um grande abraço,

Hugo Marcelo