6 de abril de 2011

Sessão 03.02.2011 - Parte I (2-Nov-1.404)



Existe um lugar no Inferno chamado Malebolge, e é feito de pedra de cor ferrenha, como as paredes da encosta que o rodeia. No centro desse campo maligno há um poço muito largo e profundo, que descreverei quando lá chegarmos. A faixa que resta, entre o poço e a encosta, é redonda e se divide em dez valas, concêntricas, cada uma mais baixa que a anterior. Aqui há pontes que, desde o penhasco, atravessam os fossos de uma beira à outra, até a ultima que beira o poço central.


Inferno, Canto XVIII





   


Malebolge, os magos têm o primeiro contato com os tormentos deste círculo: dispostos em duas fileiras, os rufiões e os sedutores são impiedosamente chicoteados por demônios chifrudos. Neste momento, percebem que Eleonora não está bem. Está pálida e apática, fazendo movimentos estereotipados, sem controle dos esfíncteres, condição que denota uma provável “síndrome pós-possessão demoníaca”, a qual não possui tratamento específico, sendo necessário apenas ser retirada do inferno para que se restabeleça. Desta forma, a “Cabala de Florença” segue por uma trilha elevada, que os conduz aos fossos mais inferiores, em ritmo acelerado, buscando atingir o mais rapidamente possível o 4o. fosso para completar sua missão, libertar Madre Silvia, e retornar à Florença, cuja igreja de San Lorenzo se tornara um campo de batalha.


Ao chegarem na fronteira do 1o. com o 2o. fosso, percebem a existência de uma ponte elevada que impede a progressão dos magi. Eles tentam usar de magia para transpô-la, mas é em vão. No “cerne” da ponte se esboça um rosto demoníaco que questiona os magos sobre suas “credenciais”. Valendo-se de seus poderes, Abdul aproxima uma alma particularmente flagelada para que Heráclito apreenda sua culpa, a qual é apresentada ao demônio-ponte, que a recusa. Este exige que os magos apresentem “uma culpa própria” para que lhes sejam permitida passagem.

Svetlana então se adianta e expõem seu pecado: estava em uma patrulha com Álgida, a qual identificou uma possível presença da “Ordem da Razão” em um vilarejo. Enquanto Álgida inspecionava a aldeia, Svetlana seduziu um guarda, um adormecido ingênuo. Durante a conjunção carnal, em um paradoxo de gozo e sofrimento, a verbena sugou toda sua energia vital, abandonando-o na floresta, caquético, paraplégico, quase sem vida. Satisfeito, o demônio-ponte permite que os magos atravessem.









Segundo Fosso

Neste compartimento, o odor fétido de esgoto está por toda parte. Logo abaixo da trilha, os aduladores e lisonjeiros estão mergulhados em um poço de fezes ácidas. Inesperadamente, um demônio-excremento se ergue à frente dos magi. Abdul prontamente cria um portal que os projeta para adiante da criatura, bem próximo da fronteira com o 3o. fosso, mas imediatamente antes que Svetlana adentrasse o portal, é agredida por uma golfada de vômitos fecalóides do demônio.

Ela então se vê submersa em um poço de detritos, completamente emerdalhada. Eis que aparece Freya e após um debate bastante denso e doloroso, Svetlana cresce no conhecimento da magia. Acorda amparada pelos magos, defronte outra ponte, que exige a revelação de outra culpa como “pedágio”.

Desta vez é a nobre Aurora Médici Ricardi que se precipita e revela sua relação com Dom Vasari, arcebispo de Florença. Embora fosse quase atéia, ela freqüentava semanalmente as missas, por vezes comungava e bajulava-o com objetivo de usufruir de suas benesses e influência política na igreja.



Terceiro Fosso

Quando alcançam o outro extremo da ponte, os magos se deparam com inúmeras almas enterradas de cabeça para baixo, tendo apenas suas pernas para fora, eternamente consumidas pelas chamas. São os simoníacos, os traficantes de artefatos sagrados, relíquias e indulgências.

Ao se aproximarem da próxima ponte, mais uma vez “o pedágio” lhes é cobrado. Abdul, envergonhado, confessa sua falta. Um rico mercador, colecionador de arte, se encantou pelo Corão que tinha junto ao balcão de sua loja e quis comprá-lo. Abdul estava reticente, o mercador perguntou o porquê de sua hesitação, e Abdul explicou-lhe que se tratava do livro de Allah e que não poderia ser vendido. O mercador entende que se trata de um Deus Allah contido no livro, como um Gênio em uma lâmpada. Antes que Abdul desfizesse o mal entendido, o mercador ofereceu um florim de ouro pelo Corão e ele aceitou, tendo apenas seu silêncio como testemunha de seu pecado.

Os magos iniciam a travessia, mas Abdul não os acompanha. Ele se prostra, começa a entoar canções desesperadas, a chorar e se flagela. Svetlana com sua mágica tenta acalmá-lo, mas é em vão. Em um momento de desespero, ele saca de sua espada e afirma que irá cortar a mão que ousou mercadejar o “sagrado Corão”. Aurora sabiamente lança um feitiço sobre Abdul que fica rígido como uma estátua e é carregado por Heráclito e Yun Lee.




Quarto Fosso



Passado alguns minutos, Heráclito examina a áurea de Abdul e percebe que já tinha se acalmado. Aurora então retira o feitiço sobre o Batini, que fica agradecido. Nesse momento eles estão na vala dos advinhos, cuja punição é andar eternamente com a cabeça virada, torcida completamente, para trás, forçado a ver sempre suas próprias costas.


Os magi então procedem um ritual em conjunto para tentar localizar a Madre Sílvia. Encontram-na crucificada e muito abatida. Desesperados para libertá-la, os magi se precipitam e correm em sua direção. Quando se aproximam, intuitivamente Abdul percebe que algo não parece estar certo e Svetlana grita “Não é ela, não é Madre Sílvia”. Essa então se “decompõe” em inúmeros morcegos que como um enxame de abelhas atormentam os magos, depois se reagrupam e eis que surge ele, com o seu inconfundível sorriso sádico, Petronius!

O infernalista recruta um demônio e os dois iniciam um ataque contra os magi. Yun Lee se digladia com o demônio. Abdul, valendo-se de seus conhecimentos sobre a mente, tenta neutralizar e enlouquecer Petronius. Heráclito tenta livrar o demônio do controle do nephandus. Aurora e Svetlana iniciam conjurações e feitiços que rasgam os braços do infernalista.

Após alguns turnos, Heráclito consegue livrar o demônio da influência de Petronius e este sai voando, abandonando o campo de batalha. Abdul após alguns turnos está quase neutralizando o infernalista, mas este, ao perceber a derrota iminente, abre um portal e foge.

Vencido esta batalha, os magos se concentram novamente em madre Sílvia, a qual é encontrada enterrada até o tórax, quase sem vida e esgotada, tanto magicamente quanto psicologicamente. Os magi tentam animá-la, mas é em vão. Neste momento resolvem contatar Ishmael, o qual vêm até o inferno e resgata Madre Sílvia e Eleonora.

Um raio de esperança começa a nascer nos corações dos magos, mas é impiedosamente apagado por um “pedido” de Ishmael. Para poderem vencer o espírito da Loba e libertar Florença de uma vez por todas, só há uma maneira... Esgotados e desesperançosos, os magos se lançam em uma última missão nos domínios do inferno de Dante, algo que jamais imaginaram ser possível e que, provavelmente, lhes custará a vida.
  

4 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Caros colegas de mesa,

Por gentileza fiquem à vontade para corrigirem/complementar qualquer detalhe.

Diego, eu acrescentei algumas coisas pra dar mais dramaticidade à história (quem conta um conto aumenta um ponto... hehehe). Caso você discorde fique à vontade para modificar como preferir.

Atenciosaemnte,

Hugo Marcelo

dklautau disse...

Grande Hugos!
Lembrou de tudo mesmo.
A parte acrescentada ficou boa sim. Esperemos para ver o que mais pode ser acrescentado pelos demais.
Abs.

Fabi Dias disse...

Muito bom, Hugão...

Consertei o nome do Bispo que me fez frequentar as missas. O falecido era do primeiro ato, o que me deu um dos livros.

Abs,
Fabi

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Fabiana,

Obrigado, é verdade, o nome estava errado...

Hugo Marcelo