7 de abril de 2011

Sessão 03.02.2011 - Parte 2 (2-Nov-1.404)

   
Ainda oprimidos pela atmosfera demoníaca do Quarto Fosso, Ishmael faz um pedido aos magi. Para que a maldição de Dante possa ser definitivamente proscrita, é necessário uma amostra do couro e da saliva de cada uma das cabeças de Lúcifer, que está aprisionado no nono círculo do inferno.

Abdul por um momento se desespera, quase se rende, mas pensa em sua família e nas suas responsabilidades como mago e que talvez sua vida até então tenha sido uma preparação para este momento. Dessa forma, a “Cabala de Florença” parte em uma jornada rumo ao mais tenebroso compartimento infernal.

Ao chegarem na fronteira com o 5o. fosso, mais uma vez se deparam com uma ponte elevadiça que cobra uma culpa como pedágio.

Eis que Svetlana se adianta e confessa a realização de rituais para prever o futuro. Satisfeito, o demônio-ponte permite que os magos atravessem para o próximo fosso.


Quinto Fosso

Ao atravessarem a ponte, logo abaixo da trilha que seguiam, um imenso posso de piche fervente é o tormento daqueles que em vida cometeram barataria, foram corruptos. As almas que tentavam emergir do breu, eram perfurados pelos garfos dos demônios.

Ao chegarem na fronteira com o sexto fosso, percebem que não existia uma ponte. Heráclito conversa com um demônio, o qual explica que a ponte tinha caído a mais de 1.200 anos (no ano em que Jesus nasceu). O mago então pede para serem transportados ao outro lado, da mesma forma que fora Virgílio e Dante. Após consulta aos seus superiores, o demônio concorda, como forma de retribuir o favor prestado por Heráclito ao libertá-lo do domínio de Petronius, no fosso anterior.

Os demônios então carregam os magos até a vala seguinte.


Sexto Fosso

Ao caminharem nesta repartição infernal, se deparam com  gente colorida, de capuz, caminhando lentamente e usando capas de ouro brilhante por fora, mas de pesado chumbo por dentro. Eles sofriam e choravam, cansados pelo peso intenso.

Por entre as almas que lentamente caminhavam, havia um homem crucificado no chão, era Caifás.

Após escalarem uma depressão, avistam a passagem para a próxima vala. XXX revela sua culpa. (Descrição da culpa)


Sétimo Fosso

Aqui, os ladrões eram atormentados por cobras e outros répteis repugnantes que flagelavam estes pecadores.

Ao se aproximarem da ponte, Heráclito confessa o roubo de vários livros, em várias bibliotecas.


Oitavo Fosso

Neste local, os mal conselheiros são punidos por uma chama que os flagela eternamente. O fogo que os atormenta também oculta os conselheiros da fraude, pois o pecado deles foi cometido escondido. E como pecaram com suas línguas, agora a fala só pode passar pela língua da chama furtiva.

Ao chegarem na ponte, XXX revela seu pecado. (Descrição da culpa)
Satidfeito, o demônio-ponte permite que atravessem.


Nono Fosso

Os magos ficam aterrorizados com os tormentos imprimidos sobre os semeadores da discórdia (criadores de cismas religiosos, instigadores de conflitos sociais e semeadores de desunião familiar) . 

Quem poderia, mesmo fazendo uso da melhor prosa, narrar as cenas de sangue e das feridas, que eu vi naquele triste lugar? Todas as línguas, por certo, estariam falidas, pois nossa memória e nosso vocabulário não são suficientes para compreender tamanha dor. Nem nos campos de batalha das piores guerras se viu tantos corpos estraçalhados, com deformações e feridas tão terríveis (...). (Inferno, Canto XXVIII).

Dentre os atormentados, Heráclito chama atenção para um que estava com seu abdome aberto, com as entranhas à amostra, e afirma ser Maomé. Abdul contra-argumenta que o profeta Maomé é ilustre habitante do Jannah, o paraíso, e essa alma provavelmente é de alguém que em vida também se chamava Maomé, nome muito comum no oriente, mas não o profeta. Heráclito insiste que Maomé foi um apostata, Abdul evita a discussão por julgar que Heráclito estava sendo influenciado pelo demônio para criar divisão entre os magos.

Ao chegarem próximo da ponte, Heráclito propõem que Abdul deveria confessar ser também co-criador de “cisma religioso”, conjectura que o irrita profundamente. 

Svetlana então confessa que quando morava em Kupala Alka, ela tinha uma inimizade no Cray verbena e descobriu que essa maga iria ter um encontro com um homem, cuja filiação à “Ordem da Razão”, lhe era ignorada.

Svetlana contou para Álgida pensando que a maga seria apenas expulsa do Cray, mas ao invés disso, foi morta, como traidora.


Décimo Fosso

Este último claustro do Malebolge é reservado aos falsificadores, sejam de coisas, palavras, dinheiro ou pessoas. Os falsificadores de matéria tinham o corpo cobertos por lepra, apodrecendo aos poucos. 

Os falsificadores de pessoas são os impostores que assumem identidades falsas, se passando por outras pessoas. São punidos com a insanidade extrema e correm feito loucos pelo Malebolge mordendo e arrastando os outros condenados. Os falsificadores de palavras são os culpados de perjúrio, falsidade ideológica e falso testemunho. Fervem de febre tão intensa que os deixa imóveis. Os falsificadores de dinheiro se desfazem com uma hidropisia tão grave que os derrete totalmente. Sentem uma sede nunca saciada porém nos sonhos só vêem rios, fontes e muita água, o que os tortura ainda mais. (Rocha, 2006).

Para que pudessem sair desta vala e seguirem rumo o próximo círculo do inferno, novamente lhes é cobrado uma culpa como pedágio. Abdul, humilhado por seu pecado, confessa uma vez que vendeu dez tapetes persa para um comerciante, como sendo oriundos do oriente, mas um deles havia sido confeccionado em Florença, sendo de qualidade um pouco inferior.

Desta forma, completamente esgotados, a “Cabala de Florença” deixa para trás este Círculo miserável, embora conscientes de que o pior ainda estaria por vir...
      

2 comentários:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Caros colegas de mesa,

Por favor editem o texto, principalmente o que está em vermelho.

Atenciosamente,

Hugo Marcelo

dklautau disse...

Fala Hugão. Grande descrição. Vou ver com a Fabi se lembro das outras culpas.

Obrigado!