1 de novembro de 2010

Irmandade de Akasha


Tudo morre. Apenas a alma vive para sempre, indo de um recipiente para o próximo numa infinita Roda do Darma. Quem pode dizer para onde nos levará a próxima vida? Os Irmãos de Akasha encontram as raízes de suas Artes em tais observações; ao contrário dos cristãos, esses magi exóticos acreditam que cada vida é uma de muitas — e passam essas vidas aperfeiçoando a alma para seu retorno à Roda.

Isso não significa que eles não acreditem no Inferno; nos Fossos da Harmonia, os pecados de uma pessoa são arrancados através de agonias descomunais. Para evitar tormentos como esses, os Irmãos praticam uma Arte igualmente descomunal — criada numa aldeia antiga chamada Meru. Através do domínio do corpo, da mente e da alma, esses magi ascendem de mortais acabados a imortais esplêndidos — herdeiros do Dô ("Caminho") que o homem perdeu.


A Trilha da Irmandade começa em Meru, a "primeira aldeia" construída no alto das montanhas do Oriente. Ali os grandes espíritos Dragão, Tigre e Fênix instruíram o povo no Caminho da Vida Harmoniosa. Os perigos foram muitos; para se protegerem, os Meru ai deram ao Dô a forma de uma arte de guerra poderosa. Quando Meru se foi, como todas as coisas, seus descendentes seguiram caminhos variados pelo mundo ou construíram fortalezas acima dele, continuando a desenvolver o Dô. Embora esses "Irmãos de Meru' tenham se separado, suas mentes retornaram a uma única fonte, um resquício compartilhado de seu antigo lar.

Essa Fonte de Meru aprofundou-se com o passar das eras. Irmãos que nunca se encontraram em pessoa se conheciam, e aqueles que morriam deixavam suas lembranças nas águas espirituais. Como as carpas, os Irmãos nadaram nessa Fonte antes, durante e após cada vida. Ali eles lavaram os terrores do Inferno. Conforme os filhos de Meru espalharam-se através das terras orientais, as Águas de Meru formaram uma ligação mística entre eles.

Diversos desses magi — agorachamados de Akashi por sua reverência a Akasha, a revelação viva primordial — seguiram em direção ao sul, ensinando e aprendendo conforme prosseguiam. A medida que sua sabedoria aumentava, o mesmo ocorria com sua arrogância. Com o tempo, eles ganharam o nome de "Punhos Lutadores." Aqueles que não concordavam com seus ensinamentos caíam frente às suas Artes. Logo uma guerra terrível com seitas Tanatóicas maculou a Fonte. Irmãos morriam, lembravam-se de sua morte e vingavam-na na seguinte. O Caminho da Harmonia tornou-se o Caminho da Destruição. Quando os Akashi recuaram, centenas de anos e milhares de vidas haviam sido perdidos. Determinados a evitar algo semelhante no futuro, a maioria dos Irmãos se isolou e concentrou- se em encontrar a paz.

A paz se mostrou difícil de ser encontrada. Seitas rivais surgiram, e elas se lançam sempre que possível contra os Irmãos como dragões irados. Graças à Longa Noite Vermelha (uma renovação recente da antiga guerra), as tensões com os Tanatóicos estão frescas como ferimentos novos. E agora há os estrangeiros, com seu odor horrível e modos piores ainda! Apesar de tudo, os Punhos Lutadores dominaram sua fúria; misturando o Dô com as crenças de Buda, Lao Tzu e o mestre Kung, eles aperfeiçoaram seus corpos, espíritos e mentes. Mesmo assim, todo homem tem um limite. A medida que a Guerra da Ascensão agita a Fonte, os Irmãos de Akasha pensam numa resposta.

Agora um punhado de "Andarilhos" (emissários) viaja para o Conselho. Cada um é uma alma corajosa com Artes formidáveis, olhos curiosos e espíritos indômitos. Não é fácil viajar para tão longe — nem entrar na guerra de outro homem. Um Andarilho de Akasha combina o domínio espiritual com uma habilidade marcial extraordinária. Do poço de conhecimentos da Fonte, ele aprende perícias suficientes para sobreviver a esse novo mundo penoso. No entanto, ele enfrenta obstáculos assustadores — línguas estranhas, costumes estranhos, companhias rudes e pessoas que temem seus "olhos do demônio." Respirando profundamente, ele se volta para si mesmo, procura as águas relaxantes da Fonte e tenta sobrepujar as ilusões ao seu redor.

Filosofia: O mundo é uma sombra dançante, um véu de dor para aqueles que não conseguem ver além dele. Todas as coisas podem Despertar, embora muitas se recusem a fazê-lo; oriente aqueles que parecem estar prontos e fique de olho naqueles que não estão.

O Caminho flui através da moderação. Mantenha a saúde, transcenda o egoísmo e alcance além dos limites. O Dô se acumula graças ao equilíbrio dos elementos; quando você não estiver esperando, o Caminho virá. Até que esse momento chegue, prepare-se. A água não irá permanecer num recipiente rachado.

Estilo: A força assustadora, a consciência fantástica e a coragem inabalável de um praticante de Dô são frutos de uma árvore de perfeição espiritual. De forma ideal, sua harmonia com a Roda do Darma permite que ele flua além de Si e do Outro, entrando nas águas compartilhadas do "toda a mente/nenhuma mente", onde todo ser vive. Ao fazê-lo, um Irmão sente emoções, lê as mentes, envia pensamentos para locais distantes ou deixa seu corpo para trás.

Esse corpo é o copo; a alma é a água. Quanto mais forte o copo, mais ele conserva. Assim, um Irmão exercita seu corpo constantemente. Sua empatia pelos outros se traduz por meio da compaixão por todos os seres, mesmo seus inimigos. Um Irmão bem treinado procura recuperar seus oponentes. A violência é o último recurso.

Organização: Retiros independentes ao longo do Oriente abrigam inúmeras escolas de Akasha — Xiundaoyuan. As Águas de Meru ligam todos eles, permitindo que um mestre em Zhongguo (China) consulte outro em Choson (Coréia). Embora a maioria das Xiundaoyuan separe homens ("Portas Amarelas") das mulheres ("Portas Vermelhas"), ambos os sexos recebem um treinamento praticamente idêntico. Em cada retiro, um abade idoso e diversos delegados (os "anciões reverenciados") detêm o poder máximo. Os poucos Andarilhos na Europa não têm uma organização formal, mas seguem uma ordem de respeito baseada na idade.

Primus: Wu Jin fala em nome da Irmandade no Conselho, mas deixa claro que ele não é seu líder; no fundo, cada Irmão lidera a si mesmo.

Iniciação: A Irmandade começa com treinamento; mesmo o magus mais poderoso é considerado uma criança quando começa seu treinamento. O novato precisa convencer um mestre a instruí-lo; caso seja bem-sucedido, ele precisa observar um código de comportamento chamado de Preceitos Nobres, que aconselham o iniciado a evitar discussões prejudiciais, mortes desnecessárias, drogas e condutas sexuais impróprias. Assumindo o nome de "Irmão" — que todos são, independentemente do sexo — o iniciado inicia um Caminho árduo. Ele é testado constantemente e pode ser expulso se for considerado deficiente. O mestre decide se o Irmão merece ou não entrar na Tradição. Caso mereça, um ritual admirável lhe dá as boasvindas à Fonte.

Daemon: Dragão, Fênix e Tigre guiam a maioria dos Irmãos, mas alguns são orientados por mestres espirituais ou espíritos elementais.

Afinidades: Mente e Água.

Seguidores: Viajantes orientais, acólitos de Akasha (artesãos, famílias, novatos não-Despertos, consortes guerreiros).

Conceitos: Diplomata, mestre-de-armas, sábio, estudante de Artes estrangeiras, tradutor, jovem aprendiz, guerreiro vingador.
 

Estereótipos

Magi do Conselho: O jardim mais estranho que já vi. Alguns conduzem grandes rituais; outros entoam cantos para os deuses e outros ocultam motivações mais sombrias. Os cultistas da morte entre eles exalam um odor maligno, mas o Caminho murmura em seus ossos. O Darma determinou uma trilha sinuosa para todos nós, mas lições maiores resultam de coisas como essas.

Dedaleanos: Os Dragões de Pedra têm uma mordida cruel, que usaram contra nós de forma demasiado freqüente. Também tenho dentes e irei usá-los com prazer se precisar.

Infernalistas: O Fosso da Harmonia guarda grandes tesouros para eles.

Discrepantes: Uma flecha voa de forma mais reta que uma pedra.

Desauridos: Arroz queimado com um grão envenenado.




Demore para se irritar.
A pressa e o orgulho embaçam a visão nítida.



Referência bibliográfica

BRUCATO, Phil. Mago: a cruzada dos feiticeiros. São Paulo. Devir. 2002.

Um comentário:

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Os Akasha são precursores dos Batini...

Hugo Marcelo