11 de abril de 2011

Florença by Night – A Mensagem


No dia seguinte à batalha final contra “A Maldição de Dante”, Abdul descansa tranquilamente em sua casa quando alguém bate à sua porta...

-Querido?

-Sim, minha flor de Florença.

-Tem uns franciscanos querendo falar com você.

-Diga a eles que estou descansando e que só retornarei à Santa Croce na próxima lua. Qualquer problema que reportem ao Arthuro.

-Abdul, eles sabem disso, mas insistem em falar com você.

-Nem mesmo Saladino e seu exército me fariam descer lá em baixo pra falar com esses monges. – Disse enquanto fazia uma careta para suas filhas, que retribuíram com sonoras gargalhadas.

-Benzinho, que indelicadeza é essa! Por favor, vá lá e converse com eles. Parecem estar aflitos. – Disse sua esposa, Bahiya Malika, descontente.

Abdul dá um suspiro e exclama desanimado: tá bom.

Ao descer pelas escadas avista dois franciscanos de pé em sua sala, com semblantes muito sérios.

-Boa tarde, senhores.

-Desculpe-nos vir até sua casa e atrapalhar seu descanso, senhor Abdulaziz, mas é que chegou esta mensagem para o senhor.

O monge enfia sua mão esquerda dentro da manga contra-lateral de seu manto e retira um pergaminho.




Um frio intenso percorre a espinha de Abdul ao reconhecer o selo dos Batini.

-Senhor Abdulaziz? O senhor está bem?

-Sim, sim... Está tudo em ordem. Quando chegou esta mensagem?

-Ela apareceu em sua mesa ha 15, no máximo 20 minutos atrás.

-Vocês agiram bem, obrigado.

-Nós é que ficamos felizes em servi-lo.

-Que a paz de Allah (swt) vos acompanhe, discípulos de Seydna Issa [1].

Abdul os acompanha até a porta da rua, depois senta-se em sua poltrona e cuidadosamente abre o invólucro da mensagem.

-Querido, o que aconteceu?

-Nada, nada.

-Como “nada”? Benzinho, você está me deixando nervosa.

-Querida, peça para selar meu cavalo. Estou indo para Santa Croce.

Abdul sai correndo para os fundos da casa, depois retorna.

-Retiro o que disse. Eu vou para a casa de Ishmael... – Apressadamente se dirige para a porta da rua.

-À cavalo?

-Não, à pé. Preciso pensar...

-Abdul!

-Hum?

-Você vai descalço?

-Não, claro, obrigado querida. Bekhátteric [2].

-Bekhátterac [3].

Ao chegar na casa de Ishmael, encontra na calçada, parado defronte o portão, seu mordomo.

-Assalam-u-Alaikum, Abdul. Meu senhor está a sua espera. Por favor me acompanhe.

Abdul o acompanha até sua sala de reunião, no segundo piso.

-Ahla u sahla [4], Abdul. Por favor sente-se, prove desta erva. É maravilhosa! – Disse enquanto gravemente fumava seu narguilé.

-Então, você já está ciente? – Disse enquanto mostrava o selo dos Batini na mensagem.

-Deixe-me ver... – Ishmael detidamente lê o documento.


-O que será que ‘ele’ tem em mente, Ishmael?

-Não sei. Mas ‘ele’ não ficou contente do inferno quase se abrir em Florença.

-Como ‘ele’ soube?

-Ressonância da batalha de San Lorenzo. Se vocês tivessem demorado mais 15 minutos todos os Batini do Cray de Constantinopla viriam para Florença. Já imaginou? – Seguiu-se uma gargalhada que desconcertou Abdul.

-Ele está zangado?

-Não... Talvez. – Requisitou seu narguilé e deu mais uma tragada.

-O que faremos!? – Exclamou Abdul aparentando preocupação.

-Pétalas de rosas.

-Como?

-Ele adora chá de pétalas de rosas. Não deixe faltar chá de petas de rosas.

-Devo preparar uma recepção no Cray?

-Sim, sim, sim! Ofereça um jantar de boas vindas na Santa Croce e convide os magos. Infelizmente os “Cavaleiros de Florença” não poderão estar presentes. Muito trabalho…

-Devo contar para os magi sobre esta “mensagem”?

-Não, não, não. Isso é um problema interno dos Ahl-i-Batin.

-Começarei imediatamente a organizar a recepção.

-Faça isso, Abdul. Faça isso…


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[1] Senhor Jesus, considerado um grande profeta pelo islã, o profeta da interioridade, da santidade.

[2] Até logo em árabe (para mulher).

[3] Até logo em árabe (para homem).

[4] Seja bem vindo em árabe.

3 comentários:

dklautau disse...

Opa. Continas trabalhando bem com os diálogos. Fiquei instigado em saber do que se tratará nessa reunião com o imã de Alamut!
Abs

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Oi Diego,

Este imã é de Constantinopla.
Acho que você quis dizer monte Qaf.

Abs

Hugo Marcelo

dklautau disse...

Ops... Imã do monta Qaf.