5 de dezembro de 2011

Campanário de Giotto

   

Vista à partir da Catedral
campanário de Giotto é a torre campanária de Santa Maria del Fiore, Catedral de Florença, e se encontra na praça do Domo.
Seus alicerces foram escavados por volta do ano de 1296 no sitio da nova Catedral tendo Arnolfo di Cambio como empreiteiro.
A posição incomum do campanário, alinhado à direita da fachada, reflete o desejo de dar grande importância como sinal de verticalidade ao centro daInsula Episcopalis, além, provavelmente, da necessidade prática de liberar o ponto visual da zona apsidal para a grande cúpula, prevista desde o projeto de Arnolfo.
Em 1334, Giotto di Bondone sucedeu Arnolfo di Cambio no cargo de empreiteiro e se dedicou imediatamente à construção do primeiro andar da torre.

Giotto forneceu um projeto original da torre campanária, com uma terminação cúspide piramidal de 50 braços florentinos (cerca de 30 metros) de altura. Segundo o projeto, a altura total deveria ser de cerca de 110-115 metros, mas atualmente é de 84,75 metros.
Um desenho preservado no Museu da Opera do Domo de Siena foi, de acordo com alguns estudiosos, inspirado nesse projeto.

  


Os Sinos

O campanário possui um conjunto de sete sinos:
  • 1 - Campanone: de 1705, com 2m de diâmetro, 2,10m de altura, por volta de 5300kg, corresponde à nota musical La2, e foi fundido por A. Bruscoli e C. Cenni;
  • 2 - La Misericordia: de 1670, com 1,52m de diâmetro, 1817kg, nota musical Do#3, fundido por G. Santoni;
  • 3 - Apostolica: de 1957, com 1,25m de diâmetro, 1200kg, nota musical Ré3, fundido por P. Barigozzi;
  • 4 - Annunziata: de 1956, com 1,15m de diâmetro, 856,5kg, nota musical Mi3, fundido por P. Barigozzi;
  • 5 - Mater Dei: de 1956, com 95cm de diâmetro, 481,3kg, nota musical Sol3, fundido por P. Barigozzi;
  • 6 - L'Assunta: de 1956, com 85cm de diâmetro, 339,6kg, nota musical La3, fundido por P. Barigozzi
  • 7 - L'Immacolata: de 1956, com 75cm de diâmetro, 237,8kg, nota musical Si3, fundido por P. Barigozzi.


Sobre a Construção


Giotto

O estilo de Giotto é mais evidente na originalidade do refinado revestimento em mármore branco (proveniente das pedreiras de Campiglia Marittima e Pietrasanta), verde (Serpentino di Prato), e vermelho (Monsummano Terme, Siena), e, principalmente, no grandioso ciclo figurativo que enfeita a base do campanário: uma série de representações que associa o Campanário de Giotto a outras grandes obras da escultura figurativa como os portais das catedrais românicas e góticas (Arles, Fidenza, Chartres, Orvieto); mas a comparação melhor pode ser feita com os relevos da Fontana Maggiore em Perugia (1275-1278) obra de Nicola e Giovanni Pisano e também com o Batistério de Parma e o célebre zoóforo de Benedetto Antelami (por volta de 1216).

Mesmo que a crítica não tenha reconhecido com certeza a mão do mestre em alguns dos relevos, não existem dúvidas sobre a sua participação no desenvolvimento do programa iconográfico.

No ano da morte de Giotto, em 1337, somente o dado, uma parte do pedestal estava pronto, mas as falhas estruturais do projeto já se tornavam evidentes. O anônimo autor de Commento alla Divina Commedia, do século XIV, escreve que Giotto morreu de dor por ter dado pouca estrutura à base do campanário.
De fato, os demais relevos feitos no campanário provaram que o projeto inicial previa um muro com uma base de 1,60m de espessura, o que não permitiria que a torre atingisse a altura prevista. Além disso, acima do primeiro andar, Giotto havia feito um recuo (uma reentrância linear da face externa do muro) de 24cm, o que diminuía a sua espessura em quase meio metro. E, ainda, a escada de acesso aos andares superiores não seria, como normalmente acontece, esculpida no poço central da estrutura, mas seria escavada no centro do muro, solução que permitiria uma série de cômodos de grandes dimensões, mas que acabaria enfraquecendo ainda mais o embasamento.

Andrea Pisano


Giotto permaneceu como chefe das obras do campanário até a sua morte, em 1337. Giorgio Vasari menciona o pintor Taddeo Gaddi como seu sucessor, e alguns acreditam que ele tenha organizado o  espessamento dos muros no interior do primeiro andar; entretanto, nos documentos do Museo dell'Opera di Santa Maria  del Fiore, o único sucessor documentado é Andrea Pisano, que já havia colaborado com a decoração do campanário.


Entrada do Campanário
Andrea Pisani prosseguiu com os trabalhos, modificando o desenho externo e acrescentando duas lesenas em cada face do campanário, na tentativa de consertar a diminuição de espessura dos muros por causa das reentrâncias. Entre as lesenas, ele projetou uma janela do tipo monófora (como mostra o desenho da Ópera do Duomo de Siena), a fim de iluminar a sala de representação do primeiro andar.

Além disso, as duas salas localizadas acima da sala térrea foram feitas em falso, quer dizer, não se apoiavam nos muros, mas sobre o teto da sala de baixo, ganhando preciosos centímetros de espessura no muro, a partir de dentro. Essa modificação funcionou perfeitamente, pois o campanário pode atingir os 85m previstos sem maiores problemas. Os únicos inconvenientes que permaneceram foram: o estreito vão na base do campanário e as janelas irregulares.

Andrea Pisano administrou as obras de 1337 até 1348. Na parte construída sob sua administração, foram feitos uma série de nichos ogivais para colocar esculturas de vulto, que seriam mais visíveis de baixo se comparadas à visibilidade dos baixo-relevos.



O problema das escadas

Uma citação vaga de Antonio Pucci, poeta de 1300, menciona que Andrea Pisano foi destituído do cargo de responsável pela obra devido aos erros cometidos no segundo andar do campanário. Existem dúvidas quanto à credibilidade dessa citação e também não se sabe ao certo quais seriam os tais erros; provavelmente durante a administração de Andrea Pisano, tenha sido necessário adaptar a obra a fim de prosseguir com a construção, não obstante os defeitos do plano original.
Visão aérea da Praça do Domo

O problema surgiu por causa da necessidade de duas escadas diversas. Enquanto uma escada servia para ir a sala dos sinos e ao topo do campanário, a outra escada era reservada ao acesso aos três grandes salões com uso de representação. Com efeito, esses salões possuem acabamento de alto nível, tetos ogivais apoiados em pequenas colunas nos cantos e chaves decoradas (o térreo contém o Agnus Dei, símbolo da Ópera do Duomo, e o primeiro andar possui o Giglio araldico de Florença).
Obrigatoriamente as duas escadas não poderiam se encontrar e, por isso, deveriam seguir percursos complicados; além disso, existia a preocupação com o espaço vazio dentro do muro, que poderia enfraquecer as paredes.
O ponto de maior complexidade estava justamente na altura do segundo dado (parte do pedestal) do campanário: Andrea conseguiu fazer as duas escadas, mas, para construí-las, teve que sacrificar as janelas que davam luz ao salão do primeiro andar. De fato, ao invés da janela monófora anteriormente projetada, teve que se acontentar com dois pontos de luz pequenos e irregulares.
Vistas exteriormente, as aberturas não estariam simétricas e então Andrea teve que recorrer a um artifício: diminuiu a monófora projetada no espaço entre as lesenas até se tornar uma faixa estreita (coberta com uma grade de mármore) e tampando o espaço não utilizado com outros dois nichos ogivais levemente mais estreitos que os outros.

Francesco Talenti

Depois de uma interrupção das obras por causa da peste negra, o campanário foi concluído em 1359 por Francesco Talenti, que pode concluir rapidamente os trabalhos pois não havia mais problemas de estática para resolver. Bem ou mal, todos os problemas já tinham sido resolvidos pelo seu antecessor. Mas Francesco provou sua grande habilidade organizando a construção como se fosse quatro maciços pilares angulares ligados por muros relativamente finos, de onde se abrem grandes janelas.
Agora era necessária somente uma escada e se poderia usar somente um pilar por vez, escavando nele uma escada em forma de hélice para passar pelas grandes janelas (a hélice é dupla no último andar para passar pela altíssima trífora). A Francesco Talenti se devem 3 andares: os dois mais baixos com um característico motivo de bíforas aos pares, talvez provenientes de Siena; e o último andar com a sala dos sinos abertas com enormes triforas com tímpano.
Em cima da sala dos sinos foi construída uma plataforma proeminente com um rico balaústre, no lugar da cúspide prevista no projeto de Giotto. Vasari acredita que essa escolha foi determinada por uma precoce reação ao estilo gótico.
Um detalhe curioso: no revestimento de mármore do último andar foram empregados lâminas de mármore branco com desenhos em estilo românico, talvez restos provenientes das obras do Batistério.
Visão latera do Campanário de Giotto e da Basílica de Santa Maria del Fiore,
a partir da Basílica de Santa Croce
 

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